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Incentivo ou manipulação? App paga para ouvir músicas no Spotify


Já imaginou ser remunerado para ouvir música na sua plataforma de áudio predileta? A ideia parece uma proposta do tipo ganha-ganha, na qual o consumidor se beneficia e a plataforma também. Porém, a nova prática esconde algumas discussões sobre ética e os impactos do mercado fonográfico. O assunto passou a ser debatido após alguns artistas subirem de posição nos charts do Spotify de forma muito mais rápida que o comum.

De um lado, os aplicativos falam que apenas remuneram usuários, sem nunca indicar uma campanha massiva voltada para determinados artistas. De outros, críticos apontam que a prática causa distorções e influencia o algoritmo das plataformas.

Um desses aplicativos, que tem ganhado muita adesão recentemente, é o AstroPlay, que oferece aos usuários a oportunidade de ganhar dinheiro ao reproduzir música – no entanto, caso as faixas escolhidas sejam de artistas ligados ao app, o ganho pode ser maior. Por isso, usuários e pessoas ligadas ao mundo da música passaram a questionar sobre os impactos da prática, já que o uso dessa tecnologia pode distorcer o sistema de streaming, criar “sucessos fake” e comprometer a equidade na distribuição de royalties entre os artistas.

O Metrópoles entrou em contato com o Spotify, porém, até a publicação desta reportagem, não obteve resposta. No entanto, a prática de inflar artificialmente os números de reproduções viola os termos de serviço da plataforma.

“É proibido aumentar artificialmente as contagens de reprodução ou seguidores, promover artificialmente o Conteúdo ou outra manipulação, incluindo (i) usar qualquer bot, script ou outro processo automatizado, (ii) fornecer ou aceitar qualquer forma de compensação (financeira ou de outra forma) ou (iii) qualquer outro meio”, diz a diretriz do serviço.

Como funciona o app?

O AstroPlay promete que ao vincular sua conta do Spotify no aplicativo, você acumula pontos todas as vezes que ouvir músicas dos artistas do grupo Astro Music. Os pontos são revertidos em criptomoedas. “Quanto mais músicas ouvir pelo app, mais pontos irá acumular. Conquiste o 1º lugar no Ranking de Usuários e ganhe pontos extras”, diz a propaganda do aplicativo.

Em entrevista ao Metrópoles, Carlos Santos, sócio da AstroPlay, garantiu que, mesmo com a indicação de faixas, o aplicativo não tem foco em impulsionar artistas, e sim, beneficiar os fãs.

“O Astroplay foi criado através da Astro Cash, que é uma criptomoeda que já está no mercado há mais de dois anos, sendo negociado em corretoras. As pessoas podem comprar ou vender dentro de corretoras, assim como o Bitcoin. E um dos produtos da Astro Cash é o Astroplay. A criptomoeda precisa ter uma circulação no mercado. Para ela ter circulação, ela precisa ter produtos onde as pessoas possam utilizar essa moeda. E o primeiro produto foi o Astroplay, onde as pessoas podem minerar Astro Cash diariamente através de tarefas dentro do aplicativo. Então os nossos usuários dentro do Astroplay realizam tarefas e eles são recompensados em Astro Cash ou em pontos”, afirma Carlos.

“As tarefas mais vigentes dentro do aplicativo são músicas. Os usuários podem ouvir qualquer música de qualquer artista, de qualquer gênero, através do nosso Spotify e ele receber pontos dentro do nosso aplicativo, onde ele pode trocar esses pontos por produtos na nossa loja, trocar esses pontos por ticket de premiações que acontece mensalmente dentro do aplicativo e, outros usuários que têm uma classificação melhor, conseguem até ganhar a recompensa em Astro Cash. E aí usar essas Astro Cash, essas criptomoedas, para vender no mercado e transformar em dinheiro”, explica.

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É ilegal?

Para o advogado Rodrigo Caldas de Carvalho Borges, além da prática ir contra as diretrizes do Spotify, o uso de aplicativos do gênero pode ser interpretado como crime contra a ordem econômica.

“Pagar usuários para impulsionar artistas em serviços de streaming, como o Spotify, pode enredar em questões legais complexas. A manipulação para aumentar artificialmente a popularidade de músicas pode infringir os termos de serviço das plataformas, além de possivelmente configurar práticas contra a ordem econômica. Tais atos podem ser interpretados como tentativas de manipular o mercado de forma desleal, afetando a distribuição de royalties e prejudicando outros artistas e detentores de direitos autorais”, explica Rodrigo.

O advogado também ressalta a complexidade do pagamento em criptomoedas: “Embora a utilização de criptomoedas não seja proibida, as transações devem seguir as regulamentações do Banco Central do Brasil e da Receita Federal, especialmente no que tange à declaração de bens e à prevenção de lavagem de dinheiro. Portanto, é essencial agir com transparência e ética, evitando práticas que possam ser consideradas fraudulentas ou que violem os direitos autorais”.

Outras Alternativas

Apesar de ajudar a impulsionar artistas dentro da plataforma, esses aplicativos talvez não sejam a melhor opção para atingir o público. Segundo Guilherme Di Angellis, professor de marketing digital e doutor em comunicação, existem outras maneiras mais eficazes de conseguir reconhecimento e popularidade.

“Essas práticas podem até gerar um grande número de visualizações rapidamente e inflar temporariamente as métricas, mas não resultam em um engajamento genuíno ou duradouro com o público-alvo. Em vez disso, é mais eficaz concentrar-se em estratégias de marketing digital que visam construir um relacionamento sólido com seu público-alvo, oferecendo conteúdo relevante e de qualidade, interagindo de forma autêntica e buscando feedback para melhorar continuamente sua estratégia. Dessa forma, você poderá alcançar um crescimento mais sustentável e significativo para o seu negócio”, explica.

“Uma explosão de números pode até impactar os algoritmos das redes sociais e gerar uma maior exposição inicial. No entanto, isso nem sempre resulta em um engajamento duradouro ou na fixação do produto, ou música, na mente do cliente. O problema com esse tipo de crescimento rápido e superficial é que ele muitas vezes não está relacionado à qualidade do conteúdo ou produto, mas sim a estratégias de marketing agressivas ou até mesmo artificiais”, conclui.



Fonte: Metrópoles


25/02/2024 – Paraiso FM

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