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Carnaval: Mocidade e Império se destacam na 2ª noite de desfiles em SP


São Paulo — A segunda e última noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval no Anhembi, em São Paulo, trouxe a Mocidade Alegre na briga para manter o título conquistado no ano passado. O favoritismo é dividido com a Império de Casa Verde, que fez uma apresentação grandiosa.

Até o fim da madrugada, seis das sete escolas já tinham se apresentado. A Gaviões da Fiel levantou a torcida com sua viagem ao infinito. O retorno da Vai-Vai neste sábado (10/2) à elite do carnaval paulistano foi marcado pela crítica social. Também houve espaço para a Tom Maior, com carros e fantasias luxuosos, além da Águia de Ouro, também brilhante no Carnaval deste ano.

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Ao longo dos dois dias, não houve registro de problemas técnicos. Nenhuma agremiação estourou o limite de tempo para concluir a apresentação. Até a publicação desta reportagem, o desfile da Acadêmicos do Tucuruvi ainda não havia terminado —foi a última escola a entrar no sambódromo, já no fim da madrugada deste domingo (11/2).

Vai-Vai

O retorno da Vai-Vai ao Grupo Especial conseguiu escrever um manifesto de luta e resistência durante a apresentação no Anhembi —foi papo reto. A começar pelo título do enredo, que citou música dos Racionais MC’s (“Capítulo 4, Versículo”) — Mano Brown esteve presente e participou da abertura do desfile. A letra do rap fala da exclusão do povo negro, alvo de violência policial e sem oportunidades.

No aspecto musical, houve intervenções com DJ em meio ao samba. A comissão de frente trouxe o Largo do São Bento, berço do hip hop em solo paulistano. Teve as portas do metrô se abrindo e, de lá, saindo componentes para dançar break e black music. Em primeiro plano, uma representação de Exu em uma moto. Pichações e grafite também estiveram presentes ao longo de toda a apresentação.

A escola do Bixiga também opôs a cultura popular, da qual a agremiação é um expoente, ao movimento modernista, forjado pela elite no Theatro Municipal em 1922. Trouxe ainda a estátua de Borba Gato toda grafitada e queimando. A representação do bandeirante já foi alvo de protestos e até incendiada. Seja na dança, religiosidade ou na força das fantasias, a escola fundada em 1930, com 15 títulos na história, fez uma apresentação contundente.

Tom Maior

A Tom Maior caprichou nas alegorias, gigantescas e de acabamento primoroso para contar uma estória de amor (“Aysú”), retratando os desejos e sofrimentos no romance entre Abaeté e Anahí — uma versão indígena de uma representação clássica de Orfeu e Eurídice, com os desencontros entre sol e lua, que nunca se encontram. Também não faltou fantasia luxuosa ao longo de todas as alas.

O abre-alas de 70 metros de comprimento da Tom Maior foi o grande destaque. Animais de todos os tipos foram animados por técnicas de robótica que causaram grande impacto no sambódromo. Apesar do intenso uso da tecnologia, algo simples chamou bastante a atenção: indígenas remaram em canoas na lateral da alegoria, compondo a representação da terra perfeita, o paraíso.

A bateria também fez bonito. Prometeu e cumpriu ao fazer uma coreografia, como em bailado, em frente à arquibancada monumental do Anhembi. Também usou e abusou das mudanças de ritmo ao longo do desfile.

Mocidade Alegre

A Mocidade Alegre passou pelo Anhembi com a certeza de que tem todas as credenciais para manter o título com sua “Brasiléia Desvairada”. Defendeu a taça conquistada no ano passado com alas muito bem coreografadas, samba gostoso e fácil de acompanhar e bateria Ritmo Puro competente como sempre. Tudo para contar a viagem do modernista Mário de Andrade e seu registro da diversidade cultural brasileira, prato cheio para o carnavalesco Jorge Silveira.

Baianas em pedra sabão, acinzentadas, quebraram a policromia da apresentação e, por isso mesmo, se destacaram com extremo requinte. Elas estiveram inseridas no trecho que contou a passagem de Mario de Andrade por Minas Gerais. A Mocidade “rodou o Brasil”, como disse a letra do samba, e ao voltar a São Paulo fez batuque de qualidade impecável.

Pascoal da Conceição atua como Mário de Andrade há 30 anos e, nesta madrugada, interpretou o modernista na comissão de frente da Mocidade. No fim, contou estar emocionado, também aprendido ainda mais sobre personagem. “Ele é uma espécie de servidor da cultura brasileira”, disse. “Aprendo toda vez. É tão emocionante”, afirmou.

Gaviões da Fiel

A arquibancada embarcou na viagem ao infinito proposta pela Gaviões da Fiel, isso antes mesmo de a escola começar o desfile. Jogando em casa, a torcida do Corinthians pode se sentir à vontade para fazer a festa. E um detalhe criou uma camada sonora digna de ficção científica, dando base à apresentação. O teclado com efeitos especiais se misturou à bateria Ritimão, casando com o enredo perfeitamente.

A comissão de frente futurista conduziu a escola pelo sambódromo. Uma nave espacial serviu de base a arlequins e colombinas espelhados, que brilharam em frente à torcida, refletindo as luzes do Anhembi. Pendurados em cabos, eles se lançavam no espaço. Quando na pista, executavam a coreografia à perfeição.

A escola não desconsiderou a ambição desmedida do ser humano, que “pode por tudo a perder”, e deixou o planeta mãos da Mãe Terra em uma das alegorias bem trabalhadas. Depois de inúmeros exemplos que desfilaram pelo Anhembi, o que mais poderia ser infinito para um gavião? O amor pelo Corinthians, representado no último carro. Ele fechou a apresentação, que foi digna de levantar a arquibancada e do enredo inspirado no primeiro título da agremiação, em 1995.

Águia de Ouro

Carros alegóricos grandiosos, muitas cores e um brilho reluzente nas fantasias serviram para fazer a Águia de Ouro desfilar nas ondas do rádio. Foi assim que a escola da Pompeia contou a história do meio de comunicação de massa que atravessa as décadas no coração da povo. Jogos de futebol, programas religiosos e notícias da guerra estiveram representados.

Um dos carros trouxe o teatro municipal do Rio de Janeiro, com casais dançando em um baile de gala. Foi um dos pontos altos do desfile, tanto pelo luxo quanto pelas coreografias. Não faltou nem violino para embalar a festa. Em outro, Nossa Senhora Aparecida esteve representada dentro da alegoria, para onde foram direcionadas as preces dos ouvintes.

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Padre Landell de Moura, que fez os primeiros experimentos com o rádio no Brasil, também esteve presente. No Anhembi, ele virou a fantasia dos ritmistas da escola, todos com batinas azuis e detalhes em dourado. O público ficou sintonizado na apresentação.

Império de Casa Verde

A cantora Fafá de Belém foi homenageada pela Império de Casa Verde. A escola aproveitou para fazer um desfile grandioso ao discorrer sobre tradições, festejos, lendas e religiosidade do Pará. Teve boto, os bois, carimbó e tudo que permeia a cultura paraense.

A Império é conhecida pelo gigantismo de seus carros-alegóricos e não foi diferente neste ano, com apresentação impecável. Feições de Fafá estavam presentes em todas as alegorias. Logo no abre-alas, o tradicional tigre puxou três chassis. Mariana, filha da cantora, veio como Nossa Senhora numa berlinda sobre as costas do felino. As netas vieram mais abaixo.

Além do luxo das fantasias e da grandiosidade das alegorias, o samba caiu no gosto do povo e deu segurança para a bateria fazer diversos apagões durante a passagem pelo sambódromo. O grito “ê, emoriô” ecoou forte pela pista. E Fafá veio ao final, com sorriso e emoção do tamanho do desfile, um dos favoritos ao título. “Falaram da gente, olhando nos nossos olhos. A nossa religiosidade, a nossa festa, que nos faz feliz”, afirmou a cantora. “[Sou]Essa cabloca com traço marajoara na cara, porque é isso que a gente é”, disse.

 



Fonte: Metrópoles


11/02/2024 – Paraiso FM

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